A Anthropic é conhecida por seu marketing criativo, mas a empresa de IA pode ter exagerado na dose com seu comercial mais recente. Intitulado “There’s hope in hard questions” (Há esperança nas perguntas difíceis), o anúncio provocou reações que vão do desconforto à indignação no Vale do Silício.
O que mostra o comercial
O anúncio começa com o vídeo de uma casa em chamas e segue com uma sequência de imagens perturbadoras: uma multidão sendo vigiada por reconhecimento facial, uma pessoa em situação de rua, fileiras de lápides em um cemitério e trabalhadores em uma mina — presumivelmente extraindo matérias-primas para smartphones.
A narração é composta por vozes que fazem perguntas como “Dá para confiar na IA?” e “Quem vai puxar o freio se for preciso?”. Nada muito reconfortante para um comercial que deveria vender os benefícios da inteligência artificial.
Sam Altman entrou na pilha
Sam Altman, CEO do OpenAI e principal rival da Anthropic, liderou as críticas com um post irônico no X (antigo Twitter): “Achei que fosse sátira, continuei procurando o @ escrito como c1audeai”, provocou.
Outros profissionais do setor de tecnologia também reagiram. “A Anthropic é uma empresa incrível. Com a pior comunicação corporativa de todos os tempos”, comentou um usuário. Outro foi mais direto: “Os altruitas eficazes da Anthropic devem estar vivendo numa bolha de psicose de IA para achar que isso ia cair bem.”
O manual de sempre — mas que saiu pela culatra
A estratégia não é nova: marcas frequentemente denunciam os males causados por sua própria indústria como forma de demonstrar que são as mais preparadas para corrigi-los. A própria Anthropic fez isso com sucesso durante o Super Bowl de fevereiro, com comerciais bem-humorados que criticavam o OpenAI por incluir anúncios no ChatGPT.
Mas a execução desta vez foi diferente. A imagem que mais revoltou o público foi um breve trecho que parece mostrar o Cemitério Nacional de Arlington. “Não consigo enfatizar o quanto é perturbador a Anthropic veicular um comercial com essa imagem perguntando ‘quem vai puxar o freio se for preciso?'”, escreveu um crítico.
O repórter do TechCrunch Lucas Ropek comparou o tom do anúncio à sequência de propaganda do filme “The Parallax View” (1974), um thriller paranoico sobre uma corporação maligna envolvida em conspirações de controle mental — provavelmente não a associação que uma empresa de IA gostaria de inspirar.
O que isso significa
O episódio revela o delicado equilíbrio que empresas de IA enfrentam ao tentar se posicionar como guardiãs éticas da tecnologia que elas mesmas desenvolvem. A linha entre “somos os responsáveis” e “estamos assustando nosso próprio público” é mais fina do que parece — e a Anthropic acaba de descobrir isso da pior forma possível.
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