O que aprendemos depois de um ano de agentes em produção
A Vercel se tornou uma das empresas mais centrais no ecossistema de software de IA. A plataforma processa 6 milhões de deploys por dia — metade deles disparados por agentes de codificação — e mais de 1 trilhão de tokens passam diariamente pelo gateway de IA da empresa. Após a conferência ShipNYC, o CEO Guillermo Rauch conversou com o TechCrunch sobre o estado atual dos agentes de IA, a competição com os grandes laboratórios e o que chama de “a grande decisão” da indústria.
“O ano passado foi sobre prototipagem. O céu é o limite, liberte os agentes, todo mundo pode construir. Fizemos isso e aprendemos muito, porque tínhamos centenas de agentes organicamente desenvolvidos e implantados dentro da empresa. Então você começa a enfrentar as realidades de agentes em produção”, disse Rauch.
Os dois “killer apps” dos agentes
Para Rauch, existem dois casos de uso que se destacam como os mais transformadores:
1. O agente de codificação. “Está impulsionando grande parte da utilização de tokens no mundo, mas quando você produz tanto software, precisa de um lugar para colocá-lo.” A Vercel se posiciona como esse destino natural para o código gerado por IA.
2. O agente corporativo interno. “Como você acessa dados com segurança? Como audita o que o agente está fazendo? Como obtém um rastro de todas as chamadas de ferramentas e controles de acesso que o agente precisou para realizar um trabalho?” Para resolver esses problemas, a Vercel criou o framework Eve, onde é possível definir instruções e habilidades de agentes em linguagem natural, e o Vercel Sandbox, que isola os agentes com políticas de controle de dados.
O agente interno na prática
Rauch exemplificou com um caso real dentro da própria Vercel: uma representante de vendas que precisava saber quais contas estavam crescendo mais rápido para priorizar seu trabalho. “Ela não conseguia fazer essa pergunta no passado. Precisava esperar até um projeto trimestral para um novo dashboard de vendas.”
Com o Eve, essa mesma profissional agora pode consultar dados em tempo real usando linguagem natural. “Agentes estão forçando as empresas a se abrirem, e isso terá implicações dramáticas de longo prazo. Muitos desses gigantes de SaaS constroem reinos inteiros prendendo seus dados, e isso é incompatível com agentes.”
A grande decisão: modelos e agentes acoplados ou separados?
Talvez o ponto mais provocativo da entrevista seja a visão de Rauch sobre a arquitetura da indústria de IA. “Eu realmente acho que neste momento estamos decidindo se o modelo e o agente serão acoplados”, afirmou.
“Você obtém toda a sua inteligência de um só lugar? Ou obtém um módulo, uma biblioteca, um bloco de construção de um provedor, e então constrói em cima disso? Isso é mais parecido com como a engenharia de software sempre foi, e é realmente o que estamos trazendo ao mercado.”
Rauch traçou um paralelo ambicioso: “Nós vamos ser a AWS desta geração, então obviamente estamos lutando por um mundo de protocolos abertos.”
Mudança no comportamento dos clientes
O CEO observou uma mudança significativa na forma como as empresas escolhem seus provedores de IA. “No ano passado, muitas pessoas estavam escolhendo um parceiro de laboratório — dizendo que construiriam tudo na OpenAI ou na Anthropic. Agora estão dizendo: ‘Eu entendo como isso tudo funciona — modelo, harness, plataforma de dados, sandbox, gateway — cada peça é plug and play.'”
Rauch destacou o crescimento silencioso do Gemini: “Estamos vendo muito crescimento do Gemini, mesmo que não apareça tanto nas notícias, porque as pessoas estão otimizando para produção agora. Quando você otimiza para produção, começa a olhar para preço/performance, e os modelos Gemini têm características excelentes nesse quesito. Você também traz modelos abertos — então DeepSeek e GLM-5.2 estão decolando. Os dados não mentem.”
Sobre a recente iniciativa da OpenAI de publicar sites diretamente de dentro do ChatGPT, Rauch vê como uma abertura: “É um ótimo começo para nós, porque agora as pessoas vão pensar no ChatGPT como uma ferramenta para fazer sites. E então, se continuarem perguntando ao modelo sobre hospedagem web, o modelo nos recomenda.”
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