O CEO do SoftBank, Masayoshi Son, não está convencido de que data centers em órbita sejam a resposta para a crise de capacidade computacional da inteligência artificial. Em uma assembleia de acionistas recente, Son argumentou que construir infraestrutura no espaço “não vai reduzir custos significativamente” e levará tempo demais — “na batalha pela IA, os próximos anos serão muito mais importantes do que o que pode acontecer daqui a uma década”.
O comentário de Son foi o ponto de partida para uma discussão mais ampla no podcast Equity, do TechCrunch, que abordou a corrida por infraestrutura de IA, chips personalizados e o fenômeno das “neo-clouds”. Os apresentadores Kirsten Korosec, Sean O’Kane e Anthony Ha debateram por que tantas empresas estão entrando no mercado de aluguel de capacidade computacional.
O ceticismo de Son e a ironia do histórico do SoftBank
Kirsten Korosec destacou a ironia de ser justamente Son — cujo SoftBank tem um longo histórico de apostas arriscadas, incluindo o WeWork — o porta-voz do ceticismo. “Acho que diz algo quando Son vem a público fazer a pergunta que muita gente já fez”, comentou. Para Korosec, é saudável que alguém com o perfil dele questione abertamente a viabilidade dos data centers orbitais, num momento em que muitos VCs e fundadores parecem ter embarcado na ideia sem muito questionamento.
Sean O’Kane foi ainda mais direto: quando Musk fala em construir uma “constelação de satélites” que precisam ser substituídos a cada poucos anos para formar um “data center orbital”, ele está essencialmente garantindo mais negócios para o próprio negócio de lançamentos da SpaceX. “Se você remover a Starlink da equação, a SpaceX teria algo como 20% ou 30% do mercado de lançamentos, não 90%”, explicou.
OpenAI, Groq e a corrida pelos chips próprios
O episódio também abordou a revelação de que a OpenAI desenvolveu seu primeiro chip personalizado, apelidado internamente de “Jalapeño” e fabricado pela Broadcom — um movimento que reduz a dependência da Nvidia e sinaliza uma tendência mais ampla na indústria. A Groq, fabricante de chips especializados em inferência de IA, também entrou na discussão com seu novo aporte de US$ 650 milhões, ilustrando o apetite do mercado por alternativas ao domínio da Nvidia.
“Neo-clouds são o novo petróleo, e todo mundo que quer ganhar dinheiro está migrando para ser uma neo-cloud”, brincou O’Kane, referindo-se ao fenômeno de empresas que tradicionalmente não atuavam em computação em nuvem — da SpaceX à Allbirds — agora alugando capacidade computacional.
“Falando para a própria carteira”
Anthony Ha fez uma observação importante sobre o momento atual da indústria: todo executivo de IA tem interesse direto no futuro que prevê. Musk fala em data centers orbitais porque beneficia a SpaceX. O SoftBank questiona a ideia porque está pesadamente investido em data centers terrestres. Sam Altman, que também manifestou ceticismo sobre data centers espaciais — e tem uma longa e complicada história com Musk — lidera a OpenAI, que aposta em chips próprios.
“Não existem observadores imparciais aqui”, resumiu Ha. “São todas pessoas com bagagem e quantias enormes de dinheiro em jogo.” O debate sobre data centers orbitais ainda está nos estágios iniciais e enfrenta desafios imensos de engenharia e economia. Mas a pergunta que Son fez ecoa uma realidade prática: com a demanda por capacidade computacional explodindo agora, soluções que só chegariam em uma década não resolvem o problema imediato.
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