A proposta dos Estados Unidos de criar um sistema de notificação de inteligência artificial com a China — uma espécie de “linha direta” semelhante à que Washington manteve com Moscou durante a Guerra Fria — ainda deve levar semanas para ser finalizada, segundo autoridades do governo Trump.
O mecanismo permitiria que cada país alertasse o outro sobre questões de segurança nacional relacionadas à IA. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou o sistema pela primeira vez no domingo, ao lado do vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng.
O que ainda falta definir
Mesmo com o otimismo de que a linha direta possa estar em vigor antes do fim do ano, há vários pontos que precisam ser formalizados em detalhe: o estabelecimento de parâmetros sobre que tipo de incidente sobe ao nível de questão de segurança nacional — o que ainda não está claro — e a adesão explícita da China, que segue sem se comprometer.
Autoridades americanas miram um arcabouço funcional — e, crucialmente, aprovado por Trump — até o próximo encontro entre Bessent e Lifeng, previsto para daqui a dois meses em Shenzhen, na China.
O contexto da corrida de IA
As discussões refletem a preocupação crescente com as capacidades dos modelos de IA de fronteira, à medida que EUA e China disputam a liderança do setor. Autoridades discutiram internamente critérios para quando cada país é obrigado a alertar o outro, além de medidas de fiscalização para garantir que o sistema não vire apenas uma via de mão única.
Há, porém, um obstáculo: com a expectativa de prorrogação da trégua comercial e a relutância de Trump em barrar a exportação de chips Nvidia de ponta para a China, desenvolver um arcabouço com medidas de fiscalização efetivas pode demorar para obter aprovação da Casa Branca. O governo concedeu neste ano um número limitado de licenças para a Nvidia vender o chip H200 à China, componente crítico para ampliar o poder computacional dos laboratórios de IA chineses.
Outro fator que pode atrasar o sistema é a indefinição sobre quem será o próximo “czar de IA” dos EUA, cargo que lideraria uma “AI Force” de coordenação interagências.
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