O anúncio na Assembleia Geral da ONU
Em discurso na manhã de terça-feira (22) na Assembleia Geral da ONU, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país está “oficialmente” renomeando a inteligência artificial para “superinteligência”. A justificativa apresentada pelo próprio mandatário: a palavra “artificial” faria a inteligência parecer falsa.
A declaração veio embutida em uma fala mais ampla, na qual o presidente também criticou o Irã, os chamados “globalistas” e pessoas transgênero. Sobre a IA, ele declarou que os Estados Unidos “rejeitam totalmente qualquer tentativa de construir um esquema globalista para controlar a inteligência artificial”, e que a partir de então o termo passaria a ser “superinteligência”.
O que Trump disse de fato
No trecho sobre o tema, Trump argumentou que o uso da palavra “artificial” faz a inteligência “parecer falsa, e ela não é falsa” — segundo ele, a tecnologia seria “na verdade incrível”. A fala, porém, não foi acompanhada de nenhuma ordem executiva, ato normativo ou mudança legal que torne a renomeação efetiva no ordenamento americano. Trata-se, até o momento, de uma declaração política em um palco diplomático.
Por que isso importa
O episódio é relevante menos pelo nome em si e mais pelo que revela sobre o tom do debate regulatório nos Estados Unidos. Ao misturar uma questão terminológica com retórica de soberania nacional contra a regulação internacional — o “esquema globalista” citado —, o discurso sinaliza resistência a iniciativas multilaterais de governança da IA, num momento em que o tema ganha tração em fóruns globais.
Para o público brasileiro, o caso reforça a distância entre anúncios retóricos e políticas públicas concretas. Enquanto a União Europeia avança com o AI Act e o Brasil discute o PL 2338/2023, a declaração americana não altera nenhuma regra vigente — e serve de alerta sobre como discursos políticos podem confundir a percepção pública a respeito do que é, de fato, regulamentação de inteligência artificial.
Descubra mais sobre noticiAI
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.



