A rede de supermercados Lidl começou a usar um caminhão elétrico autônomo sem cabine para entregas regulares de loja na Alemanha. O veículo faz uma rota diária de reabastecimento entre o centro de distribuição de Edermünde e uma loja próxima.
Nível 4, sem motorista e sem operador a bordo
O caminhão, fornecido pela empresa sueca de tecnologia de frete Einride, opera no nível 4 da escala SAE — o que significa condução totalmente autônoma dentro de condições definidas — sob autorização da Autoridade Federal de Transporte Motorizado da Alemanha (KBA). O veículo roda sem motorista e sem operador de segurança a bordo. Einride e Lidl afirmam que a autorização é a primeira do tipo na Alemanha para um caminhão nível 4 sem cabine operando em logística diária.
15 paletes e até três viagens por dia
O caminhão tem espaço para 15 paletes europeus e pode fazer até três viagens por dia. Durante o projeto de quatro meses, a Lidl pretende cobrir todas as entregas de mercadorias secas na rota designada — mais de 3.000 paletes ao longo do período. “Com este projeto inovador, estamos testando um marco tecnológico passo a passo e com segurança em operações reais”, disse Thomas Dangelmayer, chefe de logística operacional da Lidl Alemanha.
É importante notar que o anúncio de 15 de setembro não trouxe números sobre economia de custos, prazos de entrega, utilização de veículos ou ganhos de produtividade — e a varejista não anunciou uma expansão mais ampla no escopo atual. O projeto é, sobretudo, uma avaliação de como o transporte autônomo pode ser incorporado à operação existente.
A pressão da escassez de motoristas
Lidl e Einride vincularam o projeto à falta de motoristas e à continuidade do fluxo de mercadorias. A União Internacional de Transporte Rodoviário (IRU) estimou, em junho de 2026, que havia cerca de 502 mil vagas de motorista de caminhão não preenchidas na Europa em 2025 — 13% das posições nos mercados cobertos pela pesquisa. A IRU projeta que cerca de 20% da força de trabalho atual de motoristas se aposente em cinco anos, e dois terços das operadoras europeias afirmaram ter recusado novos contratos por falta de motoristas.
O contexto brasileiro
O experimento alemão é um prenúncio do que a logística brasileira deve observar de perto. O Brasil sofre crônica escassez de motoristas e enfrenta custos crescentes de frete, mas ainda não tem marco regulatório claro para veículos autônomos de carga. A lição da Alemanha é que o caminho passa por autorizações específicas, projetos-piloto limitados no tempo e medição cuidadosa antes de qualquer expansão — um roteiro que o Brasil pode adotar para testar a tecnologia sem abrir mão da segurança.
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