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Flet 1.0: framework Python que cria apps para web, desktop e mobile chega à versão de produção

Flet 1.0 chega pronto para produção: crie apps web, desktop e mobile em Python puro, com Flutter por baixo e mais de 100 bibliotecas compatíveis.

Flet 1.0: framework Python que cria apps para web, desktop e mobile chega à versão de produção

O ecossistema Python acaba de ganhar uma peça importante para quem quer construir interfaces sem sair da linguagem: o Flet chegou à versão 1.0 e foi declarado oficialmente pronto para aplicações em produção. A novidade encerra cerca de quatro anos de desenvolvimento de um framework que renderiza a interface usando o Flutter — você escreve apenas Python, e o Flet desenha widgets Material e Cupertino em iOS, Android, Windows, macOS, Linux e no navegador, sem exigir Dart, Swift, Kotlin ou JavaScript.

O que muda com o Flet 1.0

A versão 1.0.0 já está publicada no PyPI sob a licença Apache 2.0 e requer Python 3.10 ou superior. A instalação é direta: pip install 'flet[all]'. A partir daí, o comando flet build gera artefatos para oito alvos diferentes: apk, aab, ipa, ios-simulator, windows, macos, linux e web.

Um dos pontos mais interessantes para desenvolvedores brasileiros é a possibilidade de embarcar o Python diretamente no aplicativo. O Flet empacota o runtime Python 3.12, 3.13 ou 3.14 junto com o app — e, no caso de builds web, usa o Pyodide correspondente. O índice de pacotes já lista mais de 100 bibliotecas compatíveis para mobile, incluindo NumPy, pandas, Matplotlib, Pillow, SciPy, scikit-learn, cryptography e pydantic-core.

Desempenho e arquitetura

O time reescreveu a ponte entre Python e Dart: agora as duas runtimes conversam dentro do mesmo processo, via dart-bridge, eliminando a sobrecarga de sockets e criando canais dedicados para dados binários. Nos benchmarks da versão 0.83, o processo de comparação de controles na interface ficou até 6,7 vezes mais rápido. A compilação para bytecode passou a ser o padrão, e o empacotamento Android agora carrega os pacotes Python direto do APK, sem extração.

Declarativo e com suporte a IA

O Flet introduziu também o Flet Declarative, um estilo em que a UI é descrita como função do estado da aplicação, organizada em componentes reutilizáveis. O estilo imperativo continua suportado. Para quem usa assistentes de código, o projeto disponibiliza um servidor MCP que fornece informações da API específicas por versão, além de ferramentas para encontrar exemplos, ícones e opções de CLI. O Flet Studio roda no navegador com um agente de IA embutido.

O que considerar antes de migrar

Quem vem da versão 0.28 precisa saber que esta é uma migração real: os manipuladores de eventos agora rodam em um único event loop, o que muda o comportamento de código que dependia de concorrência implícita. A política de compatibilidade promete um período de descontinuação de três versões menores antes de remover qualquer API, o que dá margem para planejar a atualização com calma.

Para equipes que já dominam Python e querem distribuir aplicações nativas ou web sem abrir mão de bibliotecas como pandas e scikit-learn, o Flet 1.0 é uma alternativa concreta — e agora com o selo de estabilidade que faltava para justificar seu uso em produção.


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