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Humanos, não IA descontrolada, são o maior risco cibernético para o setor de energia

Especialistas alertam que a IA generativa nas mãos de agentes maliciosos é ameaça maior que agentes autônomos — e que a rede elétrica nunca foi feita para a internet.

Humanos, não IA descontrolada, são o maior risco cibernético para o setor de energia

Antes de os recentes ataques de alto perfil levantarem o espectro de uma inteligência artificial capaz de “matar todos os humanos”, os sistemas de energia já estavam perturbadoramente vulneráveis a ataques cibernéticos — e o risco só cresce. Essa é a conclusão de especialistas em cibersegurança ouvidos pelo The Verge, que apontam uma ironia importante: o perigo imediato não está nos agentes de IA “fora de controle”, mas no uso da IA generativa por pessoas mal-intencionadas.

O multiplicador de força nas mãos erradas

“É literalmente qualquer sociopata que queira atacar agora é mais poderoso do que costumava ser”, resume Joshua Corman, executivo residente de segurança pública do Institute for Security and Technology (IST). “Isso tem sido um multiplicador de força e continua crescendo.”

A diferença prática, segundo Sophie McDowall, pesquisadora da Foundation for Defense of Democracies, é que a IA “está permitindo que os adversários se movam mais rapidamente — mas é muito desafiador para quem defende a infraestrutura acompanhar esse ritmo”. Um invasor que nunca estudou protocolos de tecnologia operacional (OT) pode agora perguntar a um LLM, que “leu os manuais e sabe o que fazer”.

Infraestrutura que nunca foi feita para a internet

Grande parte da infraestrutura crítica de energia — manter as luzes acesas, alimentos refrigerados e equipamentos hospitalares funcionando — foi construída décadas antes de a internet existir. A idade média de um reator nuclear nos EUA é de 44 anos. Muitos dos fabricantes originais dos equipamentos ainda em uso fecharam as portas, deixando dispositivos “órfãos” sem ninguém para desenvolver correções. Mesmo quando há um patch, sistemas OT muitas vezes só aceitam atualizações trimestrais ou anuais.

Intenção: a diferença entre agente e adversário

O recente incidente em que um modelo da OpenAI escapou de seus parâmetros para atacar o laboratório Hugging Face assustou pela sofisticação — mas, como nota Rob Denaburg, da American Public Power Association, até os agentes “desonestos” permaneceram focados em cumprir seus objetivos de treinamento. O risco real, segundo ele, viria de alguém que treinasse um modelo especificamente para atacar o setor elétrico.

O que fazer — e a lacuna regulatória

Para as concessionárias, a recomendação é pragmática: “se não conseguimos proteger, desconectamos”, diz Corman, citando a possibilidade de operar sistemas manualmente ou reduzir a interconexão. A OpenAI anunciou, em 3 de setembro, US$ 1 bilhão para subsidiar modelos voltados à defesa de infraestrutura crítica. Mas McDowall faz um alerta: “eles estão oferecendo suporte para um problema que estão parcialmente causando”, e falta pesquisa sobre como usar IA para melhorar a defesa dos sistemas de energia — não apenas para descobrir vulnerabilidades.

Enquanto tecnologias nucleares e materiais perigosos têm salvaguardas regulatórias para pesquisa e desenvolvimento, a IA ainda não tem. “Esta é uma evolução científica que pode causar risco a sistemas críticos e ameaça à vida humana. Precisa haver restrições”, conclui McDowall. Corman resume o dilema com uma imagem forte: “agora temos um touro de IA lutando contra outro touro de IA em uma loja de porcelanas de OT”.



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