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Regulamentação e Ética2 min

A divisão na esquerda americana sobre o risco existencial da IA

Enquanto Bernie Sanders abraça a pauta de segurança da IA, críticos como Timnit Gebru acusam a esquerda de amplificar o discurso das big techs.

A divisão na esquerda americana sobre o risco existencial da IA

Enquanto políticos tentam entender a segurança da IA, uma divisão ideológica se abre na esquerda americana. A questão central: acreditar ou não na afirmação das próprias empresas de tecnologia de que seus produtos são tão poderosos a ponto de poderem acabar com o mundo.

Os dois lados da disputa

De um lado, parte da esquerda questiona o valor de elevar preocupações teóricas sobre a IA acima dos danos reais já em curso. A tese é que repetir as alegações dos laboratórios sobre o risco existencial empodera as big techs e desvia a atenção da regulação dos danos presentes, como vigilância e perda de empregos. “AI se tornou a mais recente ferramenta de exploração capitalista”, diz Alan Dang, do grupo Tech Action do DSA de Nova York.

Do outro lado, estão os que seguem a direção do senador Bernie Sanders, que abraçou com entusiasmo a pauta da segurança da IA, afirmando que a tecnologia tem potencial de “eliminar a humanidade”. Para Alexander McCoy, estrategista democrata, não há contradição: “devemos enfrentar todos esses fatores ao mesmo tempo”.

Críticas duras e alianças improváveis

A pesquisadora Timnit Gebru acusou Sanders e parte da esquerda de “seguir pistas de cultos eugenistas apocalípticos”, em referência às filosofias do altruísmo eficaz. Rumman Chowdhury, ex-Twitter e hoje CEO da Humane Intelligence, avalia que todo o debate acaba beneficiando os laboratórios, que “capturam atenção, tempo, energia e dinheiro” com narrativas extremas.

O posicionamento de Sanders também o colocou em alianças inusitadas, como a proximidade com Steve Bannon, ex-assessor de Trump. Alexandria Ocasio-Cortez, por sua vez, mantém uma linha cautelosa, focada em data centers, empregos e no risco de uma bolha econômica.

O que está em jogo

Para o debate brasileiro de regulação da IA, a disputa americana é um espelho: priorizar riscos existenciais de longo prazo ou os danos concretos de hoje — viés algorítmico, desinformação e impacto no trabalho? Uma pesquisa da Politico mostrou que dois em cada três americanos acreditam que há ao menos algum risco de a IA “destruir a humanidade”, sinal de que o tema ganhou o imaginário popular.


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