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Clearview AI testa ferramenta que monta perfis completos de pessoas para a polícia

Chamada de InquiryIQ, a ferramenta experimental varre a web automaticamente para montar perfis com empregadores, apelidos e características físicas.

Clearview AI testa ferramenta que monta perfis completos de pessoas para a polícia

Por que isso importa agora

A Clearview AI — empresa de reconhecimento facial que já acumula um banco de mais de 70 bilhões de imagens raspadas da internet — construiu e testou silenciosamente uma ferramenta experimental descrita como “assistente analista” de IA. A descoberta foi revelada pela WIRED.

Chamada de InquiryIQ, a ferramenta não lançada foi projetada para pegar detalhes que um investigador obtém numa busca da Clearview e, a partir deles, varrer a web automaticamente — abrindo páginas, analisando imagens e montando um perfil com possíveis empregadores, apelidos, associações e características físicas da pessoa investigada.

O uso de dados demográficos e do Grok

Segundo a WIRED, a interface da ferramenta afirma que informar idade, gênero e raça pode ajudar o sistema a tomar “decisões mais inteligentes”. Um dos modelos testados vem da SpaceXAI, empresa de Elon Musk por trás do Grok — chatbot que já foi alvo de críticas por respostas racistas e extremistas. A Clearview não comentou como esses dados demográficos seriam usados.

O debate sobre privacidade

Especialistas alertam que ferramentas assim podem comprimir dias de trabalho investigativo em minutos — o que ajuda a resolver crimes mais rápido, mas também barateia as “expedições de pesca” contra pessoas que a polícia talvez nunca investigasse.

O professor de direito Woodrow Hartzog, da Universidade de Boston, chama isso de “rummaging digital” e lembra que o trabalho investigativo sempre funcionou como uma barreira prática contra vigilância excessiva. “As proteções de privacidade que temos hoje foram construídas num mundo que assumia certo atrito na capacidade do governo de coletar informações”, diz.

Também há preocupação com a confiabilidade dos modelos: “um chatbot propenso a alucinações não seria aceito como informante em nenhuma outra circunstância”, afirma Michael Price, da National Association of Criminal Defense Lawyers, referindo-se ao uso dessas saídas para justificar causa provável em processos judiciais.

A Clearview afirma que o InquiryIQ é um protótipo que nunca foi vendido e que “nenhum usuário policial jamais o usou”. Segundo a empresa, o seletor de modelos era apenas para testes internos de engenharia, e a revisão humana continua central no desenho do sistema.


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