Uma ação coletiva ampliada, protocolada nesta terça-feira (8), questiona se a Anthropic enganou assinantes do plano Max do Claude ao divulgar limites de uso que, na prática, seriam bem menores do que o anunciado. O caso é um dos raros esforços de punir legalmente empresas de IA por uma frustração cada vez mais comum no setor: o aperto financeiro repassado ao consumidor.
O que a ação alega
O plano Max é um upgrade do Pro (US$ 20 por mês) com duas opções: US$ 100 por mês para “5x” os limites do Pro, ou US$ 200 por mês para “20x”. A ação afirma que esses números, exibidos nos gráficos de marketing da Anthropic, escondem condições importantes em letras miúdas: o aumento de uso prometido vale apenas para janelas de cinco horas, sujeitas ainda a um limite semanal — o que, somado, resultaria em uma capacidade total muito menor do que a propaganda sugere.
Para entender o que está sendo vendido, diz a ação, o consumidor precisa “mergulhar fundo”: são necessários dois cliques em hiperlinks diferentes para chegar à palavra “sessão” e, em seguida, visitar a página do plano Pro para entender o que ela significa.
“É como dar um tanque maior, mas com bomba limitada”
As reclamações sobre os termos do Max já circulam online. Um usuário no Reddit resumiu a frustração: “O limite semanal é o que a página de preços te faz pensar que está comprando. A janela móvel de cinco horas é o que de fato controla se você consegue trabalhar… É como dar a alguém um tanque de combustível maior, mantendo a bomba limitada a um galão a cada cinco horas.”
O caso é conduzido pelas advogadas Monica Vaca e Kati Daffan, ambas ex-procuradoras da Federal Trade Commission (FTC) dos EUA, órgão de defesa do consumidor. “As pessoas veem que vão ter um uso dramaticamente expandido… O que ouvimos é que, ao assinar, elas se surpreendem por não receber o uso que achavam que estavam comprando”, disse Vaca.
A resposta da Anthropic
Em um pedido de arquivamento da versão anterior do processo, a Anthropic argumentou que as informações sobre limites de sessão não foram exatamente omitidas — estariam tecnicamente disponíveis a quem soubesse onde procurar. “Acessar essas informações esclarecedoras… exigia apenas clicar em hiperlinks disponíveis no processo de compra — o equivalente digital a virar um produto para ler o rótulo na parte de trás”, escreveu a empresa.
Vaca discorda: para o consumidor, “é uma abordagem de ‘compre por sua conta e risco'”, afirmou, “e isso não é justo com as pessoas”. A Anthropic não respondeu aos pedidos de comentário.
O contexto ajuda a entender o peso do caso: nos últimos oito meses, com a pressão por lucro aumentando, clientes de IA têm reclamado com frequência de que os principais laboratórios estão repassando seus altos custos operacionais. A própria Anthropic, no lançamento do modelo Fable 5.1, sinalizou preocupação com custo ao afirmar que estava “abordando o feedback dos clientes sobre preço”.
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