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Siri AI melhorou de verdade, mas não mudou os hábitos — e analistas dizem que isso não importa

Jornalista do Wired testou o beta do iOS 27 e se encantou com a Siri AI; semanas depois, voltou aos velhos hábitos. Analistas explicam por que a Apple ainda sai na frente.

Siri AI melhorou de verdade, mas não mudou os hábitos — e analistas dizem que isso não importa

Um caso de verão que esfriou rápido

O jornalista Reece Rogers, do Wired, passou o último mês testando a Siri AI no beta do iOS 27 — e a primeira impressão foi de encantamento. A assistente virtual renovada da Apple está “bastante poderosa”, especialmente pelo contexto pessoal: ela indexa o conteúdo do celular e consegue localizar uma mensagem antiga ou uma foto esquecida com facilidade nunca vista antes.

“Encontrar uma mensagem de texto antiga ou uma foto nunca foi tão fácil”, escreveu Rogers.

A melhora é real — e isso torna a reação mais reveladora

O ponto central do relato não é que a Siri AI continua ruim. Pelo contrário: é uma mudança de patamar em relação à versão anterior. É justamente por isso que o desfecho é significativo — mesmo sendo claramente melhor, a assistente não revolucionou a forma como Rogers interage com o celular.

Com o passar das semanas, o uso foi diminuindo. Rogers admite que voltou ao “doomscrolling” no Instagram, às buscas manuais no Yelp e aos velhos gestos de digitar e deslizar. Ele também já estava habituado ao Claude, da Anthropic, e continuava usando esse aplicativo com frequência.

“Não é que a Siri AI não seja melhor agora. É! Essa nova versão é uma mudança considerável, o que torna minha reação ainda mais devastadora”, escreveu.

Por que analistas não estão preocupados

Apesar do relato morno, especialistas ouvidos pelo Wired dizem que isso não deve abalar a Apple. A lógica é simples: a grande maioria dos usuários de iPhone usa o software padrão da Apple, sem procurar alternativas.

“Será que a Siri vai carregar o peso das críticas por não ser tão boa quanto alguns concorrentes? Claro”, diz Dipanjan Chatterjee, vice-presidente e analista principal da Forrester. “Isso vai fazer diferença para a enorme base instalada de usuários de iPhone e levá-los a procurar outra coisa? De jeito nenhum.”

Privacidade: a carta na manga da Apple

Um fator apontado como diferencial é a confiança de longo prazo que a Apple cultivou em privacidade de dados. Ramon Llamas, diretor de pesquisa da IDC, avalia que usuários profundamente inseridos no ecossistema Apple — e que antes tinham receio sobre a segurança de outras ferramentas de IA — podem se abrir para a nova Siri.

Avi Greengart, analista e fundador da Techsponential, afirma que mudou de postura no beta: passou a usar a Siri “mais e para mais coisas”, citando a capacidade de achar informações escondidas no celular mais rápido do que qualquer outro método.

O outro lado: a rejeição à IA generativa

Há, porém, um segmento de donos de iPhone que deve evitar a nova Siri justamente por causa da IA embutida nela. A reação cultural contra a IA generativa continua crescendo, e esses usuários — seja por objeção moral ou desconfiança — dificilmente serão conquistados por melhorias de recurso.

No fim, o “caso de verão” de Rogers com a Siri AI foi curto. “Mas prometo: não é você, sou eu”, brincou o jornalista.


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