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Meta recua do ‘tokenmaxxing’ e aposta no agente autônomo Hatch

Meta deixa de avaliar funcionários por uso de IA e encerra a era do ‘tokenmaxxing’ — enquanto libera o agente autônomo Hatch para testes internos.

Meta recua do ‘tokenmaxxing’ e aposta no agente autônomo Hatch

Quase um ano depois de anunciar que avaliaria seus funcionários pelo “impacto impulsionado por IA” — na prática, o quanto usavam chatbots e agentes no dia a dia —, a Meta voltou atrás. A nova orientação de avaliação de desempenho, divulgada esta semana, substitui critérios como “uso de IA” e a designação “AI Native” por uma redação mais flexível, que ressalva que “esses resultados podem ser apoiados por IA ou por outros meios”.

A mudança devolve o foco das avaliações ao impacto real do trabalho, com menos peso para o método usado para alcançá-lo. Para parte dos funcionários ouvidos pela WIRED, a alteração é sutil, mas bem-vinda: alivia a pressão de usar IA mesmo em situações em que ela não faz sentido.

O que foi a era do “tokenmaxxing”

Por meses, alguns funcionários da Meta recorreram a ferramentas de IA de forma repetida — e, segundo relatos, até frívola — para inflar as medições internas de uso, como a quantidade de tokens (as unidades de processamento de IA) consumidas. A prática ganhou o apelido de “tokenmaxxing”.

O auge veio quando um funcionário criou um ranking interno que acompanhava o uso de IA, com rótulos como “Token Legend”. Depois que o painel vazou, ele foi removido em abril. Poucos meses depois, a Meta passou a racionar o uso de IA entre os funcionários.

A pressão tinha consequências reais. Uma ação judicial movida em julho por cerca de duas dezenas de ex-funcionários argumenta que o uso de IA estava correlacionado a rótulos como “AI Native”, “AI First” ou “AI Enabled” — e que a Meta teria violado leis antidiscriminação dos Estados Unidos ao demiti-los em maio. Trabalhadores em licença médica ou familiar dizem que não conseguiram acumular uso de IA e foram penalizados injustamente. A Meta nega as acusações no processo em andamento.

O novo agente autônomo Hatch

Ao mesmo tempo, a Meta vem incentivando — sem exigir — o uso de seu experimento de IA mais avançado: o Hatch, uma ferramenta agêntica que executa ações de forma autônoma no computador. Semelhante à sensação viral OpenClaw, o Hatch navega na web e opera outros aplicativos.

Os funcionários testam o Hatch há algumas semanas em seus dispositivos corporativos, antes de um esperado lançamento público. Alguns têm hesitado em conectar a ferramenta a e-mail, calendário e outras contas pessoais por preocupações de privacidade e pelo risco de a IA “quebrar” algo importante — receio alimentado por um projeto anterior da Meta que rastreava teclas e outras atividades dos funcionários para coletar dados de treinamento de IA (projeto já pausado).

Ainda assim, há sinais de adoção: alguns funcionários já usam o Hatch para marcar compromissos pessoais e organizar a vida fora do trabalho.

O que vem pela frente

A retirada da pressão por uso de IA deve ajudar no moral e na reconstrução da confiança interna. Mas o alívio não elimina as preocupações com o futuro: na semana passada, a Reuters noticiou que a Meta se preparava para outra rodada de demissões — somada aos 8.000 cortes de maio —, plano que teria sido adiado em meio a um aumento de bugs de software associado à dependência de IA e a um progresso mais lento no desenvolvimento de agentes. O CEO Mark Zuckerberg afirmou que novas demissões em massa não são esperadas este ano.



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