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Autor do Paint.NET revela: Claude escreveu 180 mil linhas em ‘vibe coding’ para reimplementar o Direct2D

Rick Brewster contou que o Claude reimplementou o Direct2D do zero em 180 mil linhas de código não revisadas — um exemplo honesto de 'vibe coding' em produção.

Autor do Paint.NET revela: Claude escreveu 180 mil linhas em ‘vibe coding’ para reimplementar o Direct2D

Um caso real de “vibe coding” em escala

Rick Brewster, autor do Paint.NET — editor de imagens gratuito que mantém há mais de 20 anos — publicou um relato que é, ao mesmo tempo, uma demonstração do poder dos agentes de código e uma advertência sobre seus limites. Citado pelo blog de Simon Willison, ele revelou que o Claude escreveu 180 mil linhas de código para reimplementar o Direct2D do zero.

O contexto: o Direct2D sempre foi o maior obstáculo para rodar o Paint.NET no WINE, a camada que permite executar aplicativos Windows no Linux. Como não dava para simplesmente “desativar” o uso do Direct2D, a solução foi uma reescrita interna, “clean-room”, de engenharia reversa — que vive em uma biblioteca dedicada do Paint.NET e é acionada com a flag /wine.

“Trust me bro”

A honestidade de Brewster é o que torna o relato valioso. Ele admite que a maior parte do código é “vibe coded”: não foi revisada a fundo, é mais no estilo “confia em mim”. “Não consigo revisar 180 mil linhas de código, é simplesmente demais”, escreveu — lembrando que o restante do Paint.NET tem cerca de 700 mil linhas, acumuladas ao longo de duas décadas de trabalho.

O resultado, segundo ele, oscila entre o extraordinário e o frustrante. Em alguns momentos o Claude trabalhou “com a fúria de dez Einsteins recém-desacorrentados”; em outros, precisou ser “babysitado” para fazer o gerenciamento correto de recursos — por um tempo, o modelo simplesmente não fazia o equivalente a AddRef() para objetos com contagem de referência. Brewster conta que teve de corrigir decisões de arquitetura ruins e que, ao mesmo tempo, ficou impressionado com a engenharia reversa “incansável” do modelo para descobrir as fórmulas da biblioteca de efeitos embutidos do Direct2D.

Por que isso importa

O relato é um contraponto raro ao hype: mostra agentes de código fazendo trabalho real e volumoso, mas deixa claro que a supervisão humana continua sendo o fator de segurança. Para quem trabalha com IA no dia a dia, é um lembrete de que “vibe coding” acelera — mas não substitui a revisão, e que 180 mil linhas geradas por máquina ainda são, na melhor das hipóteses, um rascunho sofisticado que precisa de dono.


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