Inteligência artificial, sem ruído.
Notícias3 min

Drone ultraleve com sonar e IA navega no escuro como morcegos

Inspirados na capacidade dos morcegos de se orientarem no escuro, pesquisadores desenvolveram um sistema ultraleve de percepção por sonar aliado à…

Inspirados na capacidade dos morcegos de se orientarem no escuro, pesquisadores desenvolveram um sistema ultraleve de percepção por sonar aliado à inteligência artificial (IA) que permite que drones pequenos naveguem em ambientes com pouca ou nenhuma visibilidade, como fumaça, poeira e escuridão, onde sensores tradicionais, como câmeras e lidar, falham.

Desafio da navegação em ambientes de baixa visibilidade

Robôs aéreos normalmente dependem de sensores ópticos, como câmeras e sistemas de detecção por luz e alcance (lidar), para mapear o ambiente e evitar obstáculos. No entanto, essas tecnologias apresentam limitações em condições adversas, como fumaça, neblina, poeira, neve ou completa ausência de luz, tornando a navegação insegura ou inviável.

Imagem relacionada ao artigo de The Conversation AI
Imagem de apoio da materia original.

Para superar essas limitações, a equipe do professor Nitin Sanket, da Worcester Polytechnic Institute, buscou inspiração na natureza, especificamente nos morcegos, que utilizam a ecolocalização para detectar obstáculos minúsculos mesmo em cavernas escuras e ambientes complexos.

Como funciona o sistema inspirado em morcegos

O sistema desenvolvido combina um sensor ultrassônico ultraleve com algoritmos avançados de IA para interpretar os ecos emitidos pelo drone. Similar aos morcegos, o drone emite ondas sonoras e captura os ecos refletidos pelos objetos ao redor, permitindo estimar a localização dos obstáculos em 3D.

Uma das principais dificuldades para aplicar essa técnica em drones é o ruído gerado pelas hélices, que prejudica a captação dos ecos fracos. Para contornar isso, os pesquisadores criaram um escudo acústico físico inspirado na cartilagem da orelha dos morcegos, que reduz significativamente o impacto do ruído das hélices nos sensores.

Além disso, um sistema de inteligência artificial chamado Saranga foi desenvolvido para recuperar sinais de eco muito fracos a partir de medições altamente ruidosas, aprendendo padrões ao longo do tempo para aprimorar a percepção do ambiente.

Aplicações práticas e vantagens do sonar com IA em drones

Essa tecnologia abre caminho para drones pequenos, baratos e energeticamente eficientes que podem operar em ambientes perigosos e de difícil acesso, como em operações de busca e salvamento em incêndios florestais, desabamentos, cavernas ou condições externas com muita poeira.

Ao contrário dos sensores ópticos, o sonar ultrassônico não depende da iluminação e funciona eficazmente em ambientes escuros ou com partículas suspensas no ar que bloqueiam a luz. Isso pode tornar as missões mais seguras, rápidas e econômicas, especialmente em locais onde o acesso humano ou de veículos maiores é limitado.

O sistema desenvolvido reduz o consumo de energia em até 1.000 vezes, o peso em 10 vezes e o custo em 100 vezes em comparação a soluções atuais que utilizam câmeras e lidar.

Desenvolvimentos futuros e potencial de impacto

Atualmente, a equipe trabalha para aumentar a velocidade de voo, o alcance do sensor e reduzir ainda mais o tamanho do sistema. Também estão explorando novas inspirações biológicas e a combinação do sonar ultrassônico com outros tipos de sensores para ampliar a robustez e a versatilidade dos drones.

Essa abordagem pode permitir a operação autônoma de enxames de drones que, como os morcegos, exploram ambientes perigosos em grupo para localizar sobreviventes ou monitorar áreas remotas, com aplicações que vão desde o combate à caça ilegal até o monitoramento ambiental.

Links úteis


Descubra mais sobre noticiAI

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

R
Sobre o autorRedação Noticiai

Equipe editorial dedicada a explicar inteligência artificial com clareza, independência e contexto.