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ChatGPT Work: o que é, o que faz e por que ainda confunde (segundo Simon Willison)

O guia de Simon Willison explica o ChatGPT Work: execução de código com internet, Chrome headless, sites próprios e sub-agentes — e por que a segurança preocupa.

ChatGPT Work: o que é, o que faz e por que ainda confunde (segundo Simon Willison)

Dois produtos com o mesmo nome

A OpenAI anunciou o ChatGPT Work em 9 de julho e, desde então, vem iterando freneticamente. Simon Willison, um dos observadores mais respeitados da área, passou semanas destrinchando o produto e resume: é “extraordinariamente confuso e muito poderoso”.

O primeiro ponto de confusão é que ChatGPT Work são dois produtos. A versão mais interessante roda na nuvem — acessível pelo chatgpt.com ou pelos apps móveis — e é a que Willison chama de Work Cloud. A outra, Work Local, só existe no app de desktop (antigo Codex) e consegue acessar arquivos e rodar programas diretamente no seu computador, numa roupagem menos intimidante para quem não é desenvolvedor.

Só para assinantes, e diferente do Chat comum

Por enquanto, o ChatGPT Work fica restrito a assinantes a partir de US$ 20/mês — usuários gratuitos e do plano Go, de US$ 8, ficam de fora. A grande pergunta é: quando usar o Chat e quando usar o Work? A resposta oficial da OpenAI (“use Work quando quiser concluir uma tarefa com resultado claro”) Willison considera “quase inútil”, já que ele usa o Chat comum para isso há anos. O que importa são os recursos que o Work tem e o Chat não:

  • Opção de usar os modelos Luna e Terra no lugar do Sol;
  • Ambiente de execução de código com acesso à internet;
  • Um navegador Chrome headless completo;
  • Sistema de arquivos persistente e compartilhado entre sessões;
  • Publicação de ChatGPT Sites;
  • Execução de sub-agentes com Sol, Luna e Terra;
  • Automações de prompts agendados.

Os destaques técnicos

Na seleção de modelos, o Work oferece GPT-5.6 Sol, Luna ou Terra, cada um com níveis de raciocínio Light, Medium, High, Extra High, Max ou Ultra. Willison acredita que as sessões do Work são cobradas da cota do Codex, enquanto o Chat tem cota própria — o que explicaria a diferença de modelos disponíveis.

O recurso que mais anima Willison é a execução de código com internet: dá para clonar repositórios do GitHub, instalar dependências e interagir com a web. O Claude equivalente permite acesso restrito desde setembro (PYPI, NPM e GitHub), mas o ChatGPT Work vai além — o padrão parece ser aberto a todos os domínios. Soma-se a isso um Chrome headless capaz de carregar sites, preencher formulários, tirar screenshots e até rodar JavaScript contra o DOM, pedindo que você assuma o controle para digitar senhas e códigos 2FA sem passar credenciais pelo modelo.

O sistema de arquivos persistente também muda o jogo: cada sessão ganha uma pasta em /workspace/scratch que sobrevive entre chats — Willison já acumula 171 pastas. E o ChatGPT Sites permite construir e publicar sites inteiros sobre Cloudflare Workers, com HTML, JavaScript e até recursos server-side com D1 e R2.

O ponto de atenção: segurança

Willison, porém, faz uma ressalva importante. Seu “triângulo letal” descreve o risco de qualquer sistema agêntico que combine acesso a dados privados, exposição a conteúdo não confiável e um canal para vazar informação roubada. O ChatGPT Work combina os três — e ele gostaria de ouvir mais da OpenAI sobre como as sessões são protegidas contra injeção de prompt, provavelmente pelo mesmo mecanismo de auto-revisão do Codex.

Para quem trabalha com IA no dia a dia, o guia de Willison é o mapa mais claro até agora de um produto que promete virar o padrão de “fazer tarefa” em vez de apenas “responder pergunta”.


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