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Um quarto do faturamento da Nvidia em 2027 virá de laboratórios de IA que ela financia

CFO revela que laboratórios financiados pelo próprio balanço responderão por um quarto da receita em 2027; parcerias somam US$ 500 bi.

Um quarto do faturamento da Nvidia em 2027 virá de laboratórios de IA que ela financia

O círculo que virou estratégia financeira

A Nvidia revelou que já colocou quase US$ 50 bilhões nos laboratórios de inteligência artificial que compram seus chips — e tem compromissos encaminhados para mais de US$ 500 bilhões. A diretora financeira Colette Kress afirmou, na teleconferência de resultados de 26 de agosto, que a demanda dos laboratórios apoiados pelo próprio balanço da empresa responderá por cerca de um quarto do negócio no próximo ano.

É isso que o mercado chama de financiamento circular — e, desta vez, a Nvidia usou o termo antes que qualquer analista o fizesse. Kress reconheceu a escala do apoio que a companhia vem dando e disse saber que alguns classificariam a prática dessa forma. A visão da Nvidia, porém, é outra.

Como o círculo funciona

O mecanismo é simples de descrever. A Nvidia investe em um laboratório de IA. O laboratório usa o dinheiro — ou o crédito que a participação da Nvidia destrava — para construir um data center. Esse data center é preenchido com chips Nvidia. A compra entra como receita da Nvidia. O preço da ação e o caixa crescem, e a empresa investe de novo.

Kress deu os números ela mesma: a Nvidia assinou parcerias com seis gestoras — Apollo Global Management, BlackRock, Blackstone, Brookfield Asset Management, Goldman Sachs e KKR — para criar plataformas que devem levantar mais de US$ 500 bilhões em capital externo para os laboratórios construírem. Ela também citou um acordo com a SB Energy para terra, energia e capacidade de construção dedicadas exclusivamente a equipamentos Nvidia, cuja primeira fase (4,25 gigawatts) será usada pela OpenAI.

Pela projeção de Kress, os compromissos atuais e planejados da OpenAI somam cerca de 12 gigawatts de computação Nvidia até 2030. Para um segundo laboratório, não identificado, a Nvidia fornecerá apoio de crédito cobrindo quase 2 gigawatts.

O que ainda não está assinado

Há uma ressalva importante: no comunicado de resultados, essas parcerias aparecem como sujeitas a acordos definitivos. Ou seja, os contratos vinculantes ainda não foram fechados — os US$ 500 bilhões são uma intenção, não dinheiro em caixa.

A Nvidia também vem emprestando seu nome a operadores de nuvem menores. Segundo Kress, a empresa se compromete a alugar uma parte da capacidade desses operadores, o que garante aos credores uma receita previsível para basear o empréstimo. Em troca, a Nvidia fica com uma fatia do que o operador ganhar acima desse piso — ou seja, recebe duas vezes: uma pelo equipamento e outra pela renda de aluguel.

Por que a Nvidia rejeita o rótulo

Kress deu três argumentos para afastar a leitura de financiamento circular: os credores externos ainda avaliam cada operação pelo mérito; a Nvidia não faz empréstimos diretos; e os chips vão para clientes com grau de investimento — ou avalizados por quem tem. Se um cliente quebrar, ela argumenta, o equipamento pode ser realocado para outro comprador, o que limitaria a exposição.

A executiva explicou ainda por que os laboratórios precisam desse apoio: eles têm mais demanda por computação do que o caixa permite bancar. São empresas jovens, sem os contratos longos e as notas de crédito que os credores normalmente exigem para financiar um data center. O que limita o crescimento deles não são clientes nem tecnologia — é acesso à computação.

O risco óbvio é o calote: se um laboratório não pagar, a Nvidia perderia a venda e o investimento ao mesmo tempo. A resposta de Kress — de que o hardware encontra outro comprador — só se sustenta enquanto a demanda superar a oferta, algo que a empresa afirma ainda ser o caso hoje.

O pano de fundo agêntico

Questionado pelo analista Vivek Arya (BofA Securities) sobre financiar laboratórios que projetam os próprios chips — caso do processador Jalapeño da OpenAI —, Jensen Huang disse que a Nvidia vende uma plataforma que funciona em qualquer nuvem durante toda a vida de um sistema de IA, enquanto chips rivais nascem para um único serviço. Sobre o dinheiro investido, afirmou que seu único arrependimento foi não ter investido mais e antes.

Kress disse ao analista Joseph Moore (Morgan Stanley) que um agente de IA precisa de algo entre 15 e 100 vezes o poder computacional de uma pessoa usando o mesmo sistema. Huang, por sua vez, acredita que a IA já virou majoritariamente agêntica — o que ajuda a explicar a aposta da Nvidia em escala.


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