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Startup treina IA em pele humana viva para acelerar descobertas em cosméticos

Outer Biosciences, de Michael Polansky, mantém tecido de pele humano vivo por um mês e usa IA para gerar novos ingredientes a cada seis semanas.

Startup treina IA em pele humana viva para acelerar descobertas em cosméticos

IA treinada em pele humana viva

Michael Polansky — mais conhecido do público como parceiro de Lady Gaga e ex-braço-direito de Sean Parker — passou anos construindo, em silêncio, uma startup que cruza inteligência artificial com biologia. A Outer Biosciences, cofundada em 2022, descobriu como manter tecido de pele humana vivo fora do corpo por até um mês — muito além do padrão da indústria, que se mede em dias.

Em vez de criar um órgão sintético, a empresa obtém pele humana que seria descartada após cirurgias (em geral, plásticas), por meio de biobancos sem fins lucrativos e comerciais que operam com supervisão de comitês de ética e consentimento documentado dos doadores. As amostras chegam já sem identificação, e um sistema próprio de suporte alimenta o tecido e remove resíduos metabólicos, prolongando sua viabilidade.

O loop que é o produto

O diferencial não é uma peça isolada, mas a combinação: tecido humano vivo por semanas, um conjunto diverso de doadores e medições moleculares repetidas. Tudo isso alimenta um modelo de IA que prevê quais substâncias não testadas tendem a ter efeito benéfico sobre uma função específica da pele. Os compostos são então testados no sistema de tecido vivo, e o resultado — certo ou errado — volta para o modelo, melhorando a próxima rodada.

Esse ciclo fechado é o verdadeiro produto da Outer Biosciences hoje: não um ingrediente cosmético específico, mas uma forma mais rápida de descobri-lo. No começo, a empresa usava uma abordagem de “força bruta”, minerando literatura científica. Com a IA integrada, passou a gerar um novo candidato a cada seis semanas, com seis compostos ativos no pipeline.

Um dado que mostra o tamanho da oportunidade: entre todas as categorias de medicamentos de pele sem receita, há apenas cerca de 120 a 130 ingredientes ativos aprovados pela FDA. Somando ingredientes cosméticos com respaldo científico, o número chega perto de 200. A Outer quer ampliar esse universo de forma substancial.

Modelo de negócio e concorrência

A empresa não pretende criar sua própria marca de consumo. O plano é licenciar ou vender os ingredientes para marcas de beleza e farmacêuticas, que formulam e lançam os produtos. Quatro dos seis compostos atuais já parecem perto da comercialização. Até aqui, a startup levantou cerca de US$ 23 milhões, com investidores como Wing Ventures e Initialized, e emprega 19 pessoas.

A concorrência existe: a Vivodyne, concorrente baseada na Filadélfia que cultiva tecido de órgão humano em laboratório, anunciou recentemente quase US$ 80 milhões levantados. A diferença da Outer é o uso de tecido real, e não sintético. Outro ponto que Polansky destaca: todo o trabalho de IA roda on-premise, não na nuvem — “não queremos os dados na nuvem”, diz.

O caso ilustra uma tendência maior: a IA generativa não está só processando texto e imagem, mas acelerando descobertas em biologia e química. Diferente dos modelos que “raspam” a internet, não existe uma “internet da biologia” para treinar — e é exatamente isso que torna os dados gerados pela Outer defensáveis, ainda que o ritmo de construção seja mais lento.


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