Uma promessa de três anos, cumprida
O Mojo, linguagem de programação criada pela Modular para desbloquear GPUs, aceleradores de IA e computação avançada, agora é totalmente open source. O anúncio, feito em 18 de agosto de 2026, libera o compilador, as ferramentas e todo o código necessário para construir a linguagem sob a licença Apache 2.0 (com exceções LLVM).
A promessa vinha desde maio de 2023, quando o Mojo foi apresentado ao mundo com a ambição de ser um “superset de Python”. Na última semana, a linguagem atingiu o marco 1.0 — com estabilidade de código-fonte — e agora a Modular cumpriu a promessa original de abrir o compilador e a toolchain.
Do Python superset à linguagem própria
O plano original era produzir um superset de Python, permitindo que código Python existente fosse usado para iniciar o próprio ecossistema do Mojo. Esse plano mudou por volta de agosto de 2025: o Mojo pode ou não evoluir para um superset completo de Python, “e tudo bem se não evoluir”. A aposta passou a ser nas ferramentas de codificação assistida por IA, que já ajudam a migrar código Python para Mojo.
Hoje, o Mojo é uma linguagem própria, otimizada para tornar a programação de GPU o mais simples possível, com sintaxe inspirada no Python — embora não seja 100% compatível com código existente.
O que a licença Apache 2.0 significa
A Modular destaca que a Apache 2.0 é o “padrão-ouro” para linguagens de programação e compiladores, por oferecer grande flexibilidade para uso em todo tipo de aplicação. As exceções LLVM ampliam ainda mais as liberdades para compilar e distribuir binários criados com Mojo.
A abordagem open source foi deliberada. A empresa acredita que times de design pequenos e coesos — e não comitês — são os melhores para encontrar a “alma” de uma linguagem, mas que o feedback de uma comunidade mais ampla é essencial para escapar de uma câmara de eco. Por isso, primeiro abriu a biblioteca padrão, depois liberou centenas de milhares de linhas de código de kernel escritas em Mojo, além de ferramentas e suporte.
Como compilar o compilador
Todo o código da linguagem está agora no repositório principal da Modular no GitHub. Para clonar e compilar o compilador a partir do código-fonte:
git clone https://github.com/modular/modular.git
cd modular
./bazelw run --config=build-mojo KGEN:mojo -- run hello.mojoA Modular usa o Bazel para gerenciar os processos de build e cache do Mojo e do MAX. O comando acima baixa ou compila tudo o que é necessário para o compilador e a biblioteca padrão. A flag --config=build-mojo compila tudo do zero, usando o código local.
Para rodar a suíte completa de testes da biblioteca padrão:
./bazelw test --config=build-mojo mojo/stdlib/test/...Se você não está trabalhando no compilador em si, a flag --config=prebuilt-mojo baixa a distribuição binária nightly mais recente, economizando tempo de compilação. Vale notar que um compilador Mojo pré-compilado ainda é necessário hoje para personalizar kernels e modelos do MAX.
Contribuições: com calma no compilador
A biblioteca padrão do Mojo aceita contribuições desde 2024. Mas, em relação ao compilador e à toolchain, a Modular pede paciência: ainda não está pronta para receber contribuições externas nesses componentes. A meta é aceitar contribuições para o compilador e a toolchain até o fim deste ano.
O contexto corporativo também importa: em junho de 2026, a Qualcomm anunciou a aquisição da Modular, concluída em 29 de julho. O Mojo, portanto, agora é uma linguagem open source sob o guarda-chuva de uma das maiores fabricantes de chips para dispositivos móveis do mundo — o que deve acelerar sua adoção em edge e silício personalizado.
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