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Startup francesa Kog promete acelerar inferência de IA em 30x usando GPUs convencionais

Startup francesa aposta em otimização de software para extrair até 30x mais velocidade de inferência das GPUs que as empresas já possuem.

Startup francesa Kog promete acelerar inferência de IA em 30x usando GPUs convencionais

O desafio da inferência

A corrida por inferência de IA mais rápida está esquentando — e os mercados deram as boas-vindas à Cerebras e seus chips de propósito específico na estreia na bolsa em maio. Mas a startup francesa Kog aposta em uma tese diferente: há muito mais desempenho a ser extraído das GPUs convencionais que as empresas já possuem.

A companhia chegou à primeira página do Hacker News em maio com uma prévia técnica que pretendia provar que a decodificação extremamente rápida de requisições individuais é possível nas GPUs padrão de data center — como as AMD MI300X e Nvidia H200 usadas na demonstração.

Com a velocidade e o custo da inferência virando gargalo crítico, a promessa de desbloquear novas capacidades no hardware existente usando apenas otimização de software atraiu mais do que curiosos. “Tivemos 200 leads de negócios tangíveis”, disse o CEO Gaël Delalleau ao TechCrunch.

Engenharia de software como primeiro caso de uso

Com base no feedback inicial, o fundador solo espera que a engenharia de software seja o primeiro caso de uso. Usuários veteranos do Claude Code sabem que, às vezes, precisam esperar horas por resultados. A própria Anthropic entende que velocidade vale dinheiro e cobra um múltiplo de preço pelo Modo Rápido do Claude.

A Kog quer mirar justamente os clientes incomodados com esses atrasos — em geral, quem depende de fluxos de trabalho de IA para tarefas profissionais. A startup também tem parceiros de design que permitem gerar jogos e aplicativos a partir de um prompt, e para quem um resultado mais veloz graças ao Kog Inference Engine (KIE) significaria mais receita.

A promessa de “30x mais rápido”

O salto, porém, é grande. A demonstração mostrou impressionantes 3.000 tokens por segundo (TPS) por requisição — mas com um modelo pequeno de propósito específico, o Laneformer 2B, de cerca de 2 bilhões de parâmetros, agora disponibilizado em código aberto.

Contrariando os céticos, Delalleau está confiante de que a mesma abordagem funciona com LLMs, cujo tamanho é um desafio para chips de inferência. “As GPUs têm um futuro brilhante”, afirmou. Para ele, a ideia de que elas não são adequadas para decodificação virou um equívoco: as GPUs mais novas têm cada vez mais largura de banda de memória que só pede para ser desbloqueada.

Concorrência e foco profundo

A Kog não está sozinha em apostar na otimização de software. A ZML, também francesa, lançou software agnóstico de hardware que contorna o CUDA da Nvidia. Mas Delalleau compara a Kog mais ao laboratório Hazy Research, de Stanford, com foco ainda mais profundo na aceleração de GPU.

Esse foco vem da trajetória incomum do fundador: estudou física do estado sólido na École Polytechnique e trabalhou com segurança cibernética ofensiva. O hacking, segundo ele, ensinou a “fazer engenharia reversa em nível muito baixo — até linguagem assembly e código binário”. O lado negativo é que a abordagem é artesanal: para cada nova GPU, a equipe de 11 pessoas dedica semanas ou meses de pesquisa de engenharia.

O que vem a seguir

No longo prazo, a Kog espera alimentar sua metodologia em pipelines baseados em agentes. Por ora, precisa provar que a abordagem funciona com LLMs — o que também é a chave para levantar mais capital. “Uma vez que implementarmos nosso primeiro modelo grande a 10x de velocidade, o que acho que será em setembro, poderemos começar a demonstrar tração e levantar nossa Série A”, disse Delalleau.



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