A Okta, gigante de gestão de identidade e acesso, apresentou uma proposta direta para um dos custos mais silenciosos da era dos agentes: o “imposto de ferramentas” (tool tax). A empresa defende que filtrar a lista de ferramentas expostas por um servidor MCP (Model Context Protocol) com base na identidade do agente pode reduzir drasticamente os tokens consumidos — em alguns cenários, diminuindo em mais de 90% o número de ferramentas visíveis ao modelo.
Por que isso importa agora
O MCP virou a rota padrão para conectar agentes de IA a ferramentas e dados reais, como Google Workspace, Slack e servidores internos. O problema é que, a cada chamada de modelo, o agente recebe no prompt a representação completa de todas as ferramentas disponíveis — nome, descrição, parâmetros e schema. Mesmo que nunca vá usá-las, o modelo gasta tokens processando cada uma delas. Em um servidor MCP muito usado, com muitos usuários ativos, esse custo se multiplica de forma silenciosa e constante.
Como a proposta funciona
A ideia central é aplicar acesso de menor privilégio no nível da ferramenta. Em vez de conceder acesso a um servidor MCP inteiro, o administrador configura, no painel da Okta, quais ferramentas cada identidade (agente ou usuário) pode usar. O agente então recebe apenas esse subconjunto no prompt, e a Okta verifica o escopo novamente no momento da execução.
Isso resolve dois problemas ao mesmo tempo:
- Custo: ferramentas não autorizadas saem do prompt, e o custo de schema delas desaparece da chamada.
- Segurança: um agente não enxerga recursos, bancos de dados ou ferramentas que não foi expressamente autorizado a usar, reduzindo a “área de impacto” de uma identidade comprometida.
O que os números mostram
A modelagem interna da Okta mapeou as ferramentas do MCP Server aos escopos OAuth que as liberam e definiu segmentos de usuários representativos (helpdesk somente leitura, operadores, administradores e superadministradores). Em alguns cenários, a redução de ferramentas visíveis passou de 90%, com o custo de schema caindo em proporção parecida — embora a empresa não tenha divulgado valores absolutos de tokens ou dinheiro.
É importante o contexto: a evidência vem de modelagem interna usando dados do produto e documentação pública de fornecedores, sem dados de clientes reais e sem um caso de implantação ao vivo descrito. A Okta reconhece que os resultados variam conforme o catálogo de ferramentas, a distribuição de permissões e o modelo escolhido.
Identidade versus gateway
A Okta também traça uma distinção importante em relação aos gateways: eles medem tokens que entram e saem, limitam gastos por chave, equipe ou grupo, e podem fazer roteamento e rate limiting — mas agem depois que o custo já foi incorrido. A camada de identidade, por outro lado, filtra o conjunto de ferramentas antes de elas precisarem ser medidas.
Para equipes brasileiras que estão começando a adotar agentes em produção, o recado prático é claro: controle de custo e segurança de agentes não precisam (e talvez não devam) ser tratados como camadas separadas. A mesma informação de entitlement que governa a segurança pode governar o custo.
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