Startup usa ChatGPT para criar vacina contra câncer canino, mas cientistas questionam o papel real da IA
No início de 2026, a história de um empreendedor australiano que usou ChatGPT, Grok e outras ferramentas de IA para criar uma vacina personalizada contra o câncer de sua cadela viralizou. Agora, Paul Conyngham transformou essa experiência em uma startup chamada Gamgee, que promete oferecer “vacinas personalizadas de mRNA contra o câncer para cães” — com ambições que vão muito além do universo pet.
A startup, apoiada pela incubadora Y Combinator, está recrutando para seus primeiros ensaios clínicos na Austrália e já aceita inscrições globais. O site da empresa exibe uma linha do tempo ousada: menos de 20 minutos do veterinário, sem novos fluxos clínicos, e uma “vacina pronta” em cerca de quatro semanas. O primeiro caso documentado teria alcançado 75% de redução tumoral.
A polêmica científica por trás da história
Mas a reportagem original do The Verge revelou que a ciência por trás da história de Rosie — a cadela de Conyngham, uma mistura de Staffordshire Bull Terrier com Shar Pei — é consideravelmente mais complicada do que a narrativa sugere. Pesquisadores apontaram que:
- O papel exato da IA no processo nunca foi claramente demonstrado
- As alegações amplas dão crédito excessivo à tecnologia e minimizam o papel dos humanos envolvidos
- O protocolo seguido por Rosie usou a vacina de mRNA simultaneamente com outra terapia, tornando impossível atribuir a melhora exclusivamente à vacina
A Gamgee afirma colaborar com a Universidade de Queensland e institutos da Universidade de New South Wales, e seu objetivo final é expandir para tratamentos personalizados para humanos. Para uma startup construída em torno de um único cão cuja melhora não pode ser claramente atribuída ao tratamento central de sua proposta, é uma ambição que divide opiniões na comunidade científica.
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