Durante o QCon London 2026, Ivan Zarea, Diretor de Engenharia de Plataforma da Netlify, expôs como as ferramentas de inteligência artificial (IA) estão transformando o desenvolvimento web e ampliando o perfil dos criadores de software. Segundo Zarea, a plataforma Netlify cresceu de 6 para 11 milhões de usuários em menos de um ano, um fenômeno semelhante ao observado em outros serviços como Vercel, Supabase e Replit. Contudo, apesar do aumento expressivo no número de usuários, a parcela que se identifica como desenvolvedora tradicional vem diminuindo.
Novos perfis de desenvolvedores e o impacto da IA
O crescimento da base de usuários inclui muitos especialistas de domínio que criam ferramentas internas, aplicações pessoais e substitutos de SaaS, como equipes de RH que desenvolvem suas próprias pesquisas de clima organizacional. A Netlify celebrou a marca de 10 milhões de desenvolvedores em dezembro de 2025, destacando que agentes de IA já estão escrevendo código, o que pode abrir a web para milhões ou até bilhões de novos construtores.
Os três pilares para as ferramentas do futuro
A apresentação de Zarea estruturou-se em torno de três pilares essenciais para o desenvolvimento de ferramentas eficazes nessa nova realidade:
- Desenvolver expertise: O foco deve migrar da mera produção de código para escolhas arquitetônicas fundamentais. Projetos como SQLite e TLDraw adotaram suítes de testes proprietárias para evitar replicação fácil por IA, reforçando a importância da compatibilidade futura e estratégias de descontinuação que acompanhem ciclos de adoção acelerados.
- Refinar o gosto: É crucial entender quais decisões de design atendem tanto usuários humanos quanto agentes de IA. A Netlify, por exemplo, redesenhou seu CLI para exibir comandos completos junto a prompts interativos, facilitando a interpretação e uso por agentes. Outro exemplo é a interface da comunidade para NPM, o npmx, reconstruída em poucos meses, evidenciando a redução dos custos de reescrita.
- Praticar clarividência: Os construtores de ferramentas precisam antecipar um futuro onde agentes autônomos serão usuários primários. Frameworks como Next.js já incorporam recursos para isso, incluindo arquivos agents.md, suporte a MCP e formatos de erro acionáveis. Vercel detalhou essa visão no blog “Building Next.js for an agentic future”. Além disso, iniciativas como TanStack Intent auxiliam mantenedores a criar ferramentas compatíveis com esse novo cenário.
Evolução dos frameworks e desafios para equipes de engenharia
Dados apresentados indicam forte crescimento na adoção do Vite, queda no uso do Webpack e uma redução da vantagem dos incumbentes, com custos de migração entre frameworks como React, Svelte e Solid diminuindo. Zarea concluiu propondo reflexões para equipes de engenharia diante do aumento exponencial de usuários e desenvolvedores, e da ampliação da participação de não desenvolvedores tradicionais no processo de entrega de software.
Ele enfatizou que “estamos todos nos tornando arquitetos” e que as organizações precisam estabelecer diretrizes para garantir segurança, proteção de dados e padrões consistentes para esses novos perfis de desenvolvedores.
Disponibilidade e recursos para aprofundamento
Para quem deseja explorar mais sobre os temas abordados, destacam-se os seguintes links úteis:
- Documentação sobre MCP no Next.js
- Formulário para contato e feedback
- Minibooks gratuitos para aprendizado contínuo
- Site oficial das conferências QCon
O QCon London 2026 reforça a importância de ferramentas e arquiteturas que acompanhem a rápida evolução do desenvolvimento impulsionado por IA, oferecendo um panorama prático para equipes de engenharia se prepararem para um futuro onde agentes autônomos e não tradicionais são protagonistas na criação de software.
Frequently Asked Questions
Por que projetos como SQLite e TLDraw criaram suítes de testes proprietárias na era da IA?
Esses projetos adotaram suítes de testes proprietárias como uma decisão estratégica de arquitetura. O objetivo principal é evitar a replicação fácil de seus códigos por modelos de inteligência artificial, garantindo a proteção de sua propriedade intelectual e assegurando a compatibilidade futura de suas ferramentas.
Como as ferramentas de desenvolvimento estão se adaptando para serem usadas por agentes de IA?
As ferramentas estão sendo redesenhadas para facilitar a interpretação por robôs. A Netlify, por exemplo, alterou sua CLI para exibir comandos completos com prompts interativos. Além disso, frameworks como Next.js estão adotando arquivos agents.md, suporte a MCP e formatos de erro acionáveis para agentes autônomos.
Quem são os novos criadores de software mencionados e o que eles estão desenvolvendo?
São especialistas de domínios diversos, não considerados desenvolvedores tradicionais, como profissionais de RH. Eles utilizam ferramentas de IA para criar soluções personalizadas, incluindo aplicações de uso pessoal, ferramentas internas para suas empresas e substitutos de softwares comerciais (SaaS), como pesquisas de clima organizacional.
Qual é o principal desafio de segurança com a chegada de milhões de novos desenvolvedores leigos?
Com o aumento de não desenvolvedores criando softwares através de IA, o grande desafio para as organizações é estabelecer diretrizes claras de governança. É fundamental garantir a segurança da informação, a proteção de dados sensíveis e a manutenção de padrões consistentes de qualidade no código gerado por esses novos perfis.
O que significa a afirmação de Ivan Zarea de que 'estamos todos nos tornando arquitetos'?
Significa que, como a inteligência artificial está assumindo a tarefa repetitiva de escrever linhas de código, o papel humano está migrando para um nível mais estratégico. O foco dos profissionais agora deve ser a tomada de decisões arquitetônicas fundamentais, design de sistemas, curadoria e compatibilidade de longo prazo.
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